21 anos. Exímio ladrão de pedaços de animais.Alguém que se importa.

Uma alma sensí­vel.


18s
Aleatorium
Antimyxo.
Endorphina
Kill your Idols
Kool Thing
Necrometrópole
Reservatório
The Offender


05/01/2004 - 06/01/2004
06/01/2004 - 07/01/2004
07/01/2004 - 08/01/2004
08/01/2004 - 09/01/2004
09/01/2004 - 10/01/2004
10/01/2004 - 11/01/2004
11/01/2004 - 12/01/2004
12/01/2004 - 01/01/2005
01/01/2005 - 02/01/2005
02/01/2005 - 03/01/2005
03/01/2005 - 04/01/2005
04/01/2005 - 05/01/2005
05/01/2005 - 06/01/2005
06/01/2005 - 07/01/2005
07/01/2005 - 08/01/2005
08/01/2005 - 09/01/2005
09/01/2005 - 10/01/2005
10/01/2005 - 11/01/2005
11/01/2005 - 12/01/2005
12/01/2005 - 01/01/2006
01/01/2006 - 02/01/2006
02/01/2006 - 03/01/2006
03/01/2006 - 04/01/2006
04/01/2006 - 05/01/2006
05/01/2006 - 06/01/2006
06/01/2006 - 07/01/2006
08/01/2006 - 09/01/2006
10/01/2006 - 11/01/2006
12/01/2006 - 01/01/2007
01/01/2007 - 02/01/2007
02/01/2007 - 03/01/2007
03/01/2007 - 04/01/2007
06/01/2007 - 07/01/2007
07/01/2007 - 08/01/2007
10/01/2007 - 11/01/2007
06/01/2008 - 07/01/2008
10/01/2008 - 11/01/2008
12/01/2008 - 01/01/2009

[sexta-feira, dezembro 12, 2008]

Da Languidez Voluntária

Como novo, para eu não postar de novo.


por Caniço Duvidosamente Pensante às
| 5:04 PM.

____________________________

Do Desvelo Convalescente

O layout voltou e tudo é bonito de novo.


por Caniço Duvidosamente Pensante às
| 4:45 PM.

____________________________

DaRedenção (ou: DeComoÉMelhorLutarDeJoelhos)

1. O Blogger não aceita mais o HTML que eu usava havia uns bons quatro anos.
2. Eu não uso mais o blog em que eu postava havia uns bons quatro anos.
3. N0 blog já não se postará mais nada por mais uns bons quatro anos.

Com layout estragado e tudo mais.


por Caniço Duvidosamente Pensante às
| 4:32 PM.

____________________________

Da Piora de Estado

.../\/......\/\......\/\......\/\/...


por Caniço Duvidosamente Pensante às
| 4:12 PM.

____________________________

Da Auto-Imunidade Benigna
(Ou Da Régua L ou Aquela Régua que os Arquitetos e Engenheiros Usam, Normalmente, Além da Régua T)







por Caniço Duvidosamente Pensante às
| 3:58 PM.

____________________________

[sábado, outubro 04, 2008]

Da Ereição






por Caniço Duvidosamente Pensante às
| 12:02 AM.

____________________________

[quinta-feira, junho 05, 2008]

Das penedias

Durante toda vida, Pedroso sofreu de prisão de ventre. Um dia, farto de sua constipação, recorreu ao armário de remédios. Sacou um frasco de laxante e conferiu a validade. "Está vencido, mas o que pode me fazer de mal? Causar uma diarréia?", pensou, ladino, Pedroso, que morreu de infecção intestinal poucas horas depois.
A poda de uma flor ainda em botão e seu posterior uso como adubo, naquilo que para alguns indivíduos afeitos aos dramalhões configuraria desperdício vão de energias, não deve ser encarada como motivo para tristezas, entretanto; não fosse o laxante, teria sido o câncer colo-retal, que, à época, já se apresentava em fase metastática.


P.S.: Só um post pra garantir meu domínio sobre minha conta quase inativa.

Marcadores: , ,



por Caniço Duvidosamente Pensante às
| 1:00 PM.

____________________________

[terça-feira, outubro 02, 2007]

Da baixeza

Maciel, trinta anos, anão, vivia uma vida de pequenas expectativas. Não poderia ser diferente. Sua vida profissional não podia ser grande coisa - ou haveria de abrir mão de sua dignidade e aceitar os trabalhos que geralmente são oferecidos a pessoas como ele (empregos em programas televisivos de quinta categoria ou qualquer coisa no ramo da exploração de minas de carvão mineral, na maior parte das vezes) ou morreria de inanoção, digo inanição. Optou pela primeira alternativa. Era operador de telemarketing. O baixo salário infundava seu esforço e não permitia sequer o mais ínfimo dos luxos.
Sua vida amorosa tinha sido, até agora, bastante curta. Arrumara certa vez uma namorada, que conhecera num dia de inverno em que resolvera ir ao circo. É verdade que Maciel, durante o parco tempo de relacionamento, nunca tivera oportunidade de apreciar o semblante de sua amada. É que, segundo ela mesma dizia, era descendente de portugueses. Uma semana depois do primeiro encontro, o circo encerrou aquela temporada e dirigu-se a outra cidade. A namorada de Maciel, parte importante do espetáculo, precisou partir. Fato é que não teria dado certo, de uma forma ou de outra. A distância entre os dois sempre fora um empecilho.
Com o coração feito em pedaços, o estado de espírito de Maciel chegou a níveis abaixo dos tidos como saudáveis. Não comia, atendia aos clientes da empresa com pouca vontade e nos momentos de folga privava-se até mesmo de pequenices.
Um dia, Maciel, que comia alguma coisa preparada no microondas, jogado no sofá, sintonizou, por acaso, um programa motivacional. O homem do programa discorria sobre o sentido da vida, desilusões e comida enlatada. Dizia que era preciso ter paciência perante as dificuldades e que, mais cedo ou mais tarde, a estrela de todos nós haveria de brilhar. Maciel sorvia cada palavra. Sentindo-se um pouco melhor, começou a retomar o ritmo de sua vida.
Algumas semanas depois, recebeu com grande alegria a notícia - um tanto desencontrada, é verdade - de que Plutão era uma estrela anã, ou qualquer coisa nesse sentido. Parecia que finalmente os astros sorriam para ele.
Tomado de excessiva motivação, Maciel decidiu que era tempo de ser feliz. Encontraria um novo amor.
Maciel, que sempre tivera certo fetiche por gordinhas, decidiu-se por tentar a sorte com uma colega de trabalho por quem sempre se interessara, mas a quem, por medo da rejeição, nunca havia dirigido a palavra. Mas agora não havia o que temer. Plutão estava ao seu lado.
Foi rejeitado.
Tudo bem, havia outra mulheres no mundo. Resolveu tentar a sorte com outra rechonchuda colega, que sempre o comprimentava, digo, cumprimentava, e com quem tinha mais intimidade. Mais um insucesso.
Após o expediente, resolveu ir à caça. Visitou um spa. Foi expulso a chutes após assediar três senhoras de respeito.
No dia seguinte, Maciel foi convocado para falar com seu chefe. Segundo havia sido informado, Maciel tornara-se verdadeiro transtorno às mulheres e um entrave ao trabalho e, por isso, precisaria ser demitido.
Completamente desacreditado, Maciel voltou para casa. No noticiário, debatiam a natureza de Plutão.
Maciel dirigiu-se ao banheiro e, em hora pequena, enforcou-se numa Gorducha.


por Caniço Duvidosamente Pensante às
| 11:39 PM.

____________________________

Da obturação bloguística

Não há arma mais eficiente contra a simpatia das pessoas do que um celular.
Está de bobeira na sala de aula, esperando o professor que sempre atrasa, e não quer ter que conversar com o engraçado rapaz que se senta ao seu lado? Sem problemas. Abra o celular. Finja estar vendo algo interessante. Junte as sobrancelhas em sinal de preocupação enquanto passeia por sua agenda telefônica procurando algum número para não ligar.
Precisou ir ao banheiro, no escritório, e, agora, não quer travar contato com os eventuais colegas que encontrar no caminho de volta? Digite telefones imaginários e espere por alguém que nunca atenderá.
Mesmo se, por qualquer motivo, você se descuidar e for alvejado por alguém, tenha em mente que o celular ainda lhe poderá ser útil. A tática da ligação inesperada surte melhores efeitos quando utilizada em conversas de mais de duas pessoas, quadro em que se torna mais fácil uma rápida retirada para atender à falsa ligação, mas se você tiver nervos de aço e der pouca importância aos sentimentos alheios, também será de aplicação satisfatória com apenas um interlocutor.
As táticas são muitas e, se bem manejado, o celular poderá preservá-lo de horas de conversa amigável e descontraída e sempre passará aos outos a impressão de ser você uma pessoa socialmente ativa e ocupada demais com sua miríade de amigos para dar atenção às aflições de reles colegas. Recomenda-se, também, a adquirição de aparelhos com suporte a jogos como Reversi e Campo Minado, que se provam muito úteis durante eventos longos e de presença indispensável, como casamentos (e, aqui, inclui-se também o seu próprio, desde que se tenha a discrição de configurar o aparelho para o modo vibratório) e batizados.


por Caniço Duvidosamente Pensante às
| 11:56 AM.

____________________________

[terça-feira, julho 31, 2007]

Da reavaliação

Resolvi comemorar os três anos e sete meses deste blog relendo-o inteiro. Cerca de trinta posts, praticamente todos de 2004, foram excluídos por denotar um certo tipo de humor bastante... peculiar (leia-se: lingüisticamente intolerante, etnocêntrico, racista, machista, feminista, sexista em geral, homofóbico, heterofóbico, xenófobo, anti-semita, discriminista, chauvinista, estereotipista etc). Amigão da galera que sou, excluí os que tive por mais exagerados (leia-se: vexaminosos) a fim de evitar complicações (leia-se: processos legais) perante a vastíssima multidão de leitores deste simpaticíssimo veículo de comunicação.
O motivo de existência deste post é a justificativa perante os fiéis leitores (leia-se: o cara que procura "gordinhos nus" no google há mais de dois anos e, por algum motivo, sempre cai neste blog) acerca da redução drástica nos arquivos. É claro que este post também serve como prova legal (?) do meu arrependimento sobre todas as coisas que eu disse contra os ignorantões da linguagem - assassinos! -, os pretos e suas armas de fogo, as mulheres (que, sabe Deus como, aprenderam a ler) e os homens (limitados, grosseiros e, acima de tudo, intolerantes com os diferentes, seus irmãos), os boiolas em geral, que sempre vêm com essas viadagens de "respeito", esses imigrantes e migrantes que roubam nossos empregos e os judeus - que, gananciosos que são, não perderiam a oportunidade de processo.

Respeitosamente,
Humberto.



por Caniço Duvidosamente Pensante às
| 2:21 PM.

____________________________

[quinta-feira, julho 19, 2007]

Da fealdade

Hermengarda era feia, não havia como negar. Seu rosto guardava qualquer semelhança com a cabeça de um feto consumido por chamas extintas a golpes de tamanco de madeira de salto agulha. Hermengarda, ciente de sua condição, buscava refúgio nos contos de fadas. Sempre o fizera. Em seus pensamentos, ela, princesa, esperava por um sujeito bom, honesto, humilde e que detivesse um bom manejo de objetos pontiagudos em geral. Não obstante, sua vida amorosa não era muito feliz. Somente os rapazes mais simpáticos - e desesperados - se aproximavam dela e, quando o faziam, faziam-no apenas para atender a seus impulsos catárticos. Hermengarda estava certa de que os rapazes que habitualmente a visitavam não buscavam compromisso e isso doía seu coração sonhador.
Em algum ponto mais longínqüo da nossa narrativa, uma família de linhagem nobre mudou-se para a cidade de Hermengarda. Logo, Jonas, filho dos ilustres novos moradores, ganhou destaque no círculo social de Abacateiro do Oeste. Bonito, culto e atlético, arrancava suspiros por onde passava. Não tardou em ser conhecido por Hermengarda, que logo caiu de amores por ele, embora este insistisse em ignorá-la e, nas vezes em que fosse impossível desviar o olhar, precisasse utilizar um pequeno lencinho com suas iniciais bordadas para sufocar a ânsia que já se anunciava através de sua campainha.
Por meses Hermengarda nutriu suas fantasias mais nobres. Imaginava-se sentada ao pé da lareira a bordar casaquinhos azuis para seus gêmeos varões enquanto Jonas, seu marido, lia o jornal do dia e trabalhava os bíceps. Bem à noitinha, após colocar os bebês para nanar, Hermengarda preparava um delicioso jantar para seu esposo, mas nada de carboidratos, porque Jonas queria deixar o corpo bem sequinho.
Depois de fantasiar por tanto tempo, Hermengarda resolveu declarar-se. Não cabe aqui entrar em detalhes sobre o diálogo travado entre os dois pombinhos, embora seja possível resumir o teor da conversa em uma única frase de Jonas, que disse preferir fazer amor com o pé de uma mulher gorda a afeiçoar-se a uma criatura tão pavorosa.
Desolada, Hermengarda tentou ganhar alguns quilos, imaginando ter talvez uma chance com seu objeto de admiração. Sua origem humilde, porém, foi mais forte do que sua persistência. Acabou por comer todo o alimento que sua família podia comprar, levando inclusive um de seus irmãos mais novos à morte por inanição.
Amordaçada e acorrentada à própria cama pela família, a fim de evitar novo incidente alimentar, Hermengarda chorava sem intervalos. Algumas semanas depois, seu pai, compungido, sentou-se ao pé de sua cama e leu para ela uma daquelas história que tanto gostava. Tratava-se de A Nova Roupa do Imperador, história sobre um soberano que mandara dois vigaristas confeccionar para si uma roupa costurada a partir de um tecido especial cuja existência somente era perceptível àqueles de certo nível intelectual. Terminada a leitura, Hermengarda fez menção de falar. O pai afrouxou um pouco - só um pouco - a mordaça.
- Purrxa bida, bai. Queria eu der algum acefório que pudefe me mostrar quais chão as pessoas que balem a pena - disse, mastigando o tecido que lhe cobria a boca.
- Bem, filha, você já tem. A sua feiúra. Você é horrível. Qualquer pessoa que se aproxime de você - exceto aqueles pobres rapazes excluídos, desesperados e que não conseguem pegar ninguém que aparecem por aqui de vez em quando para afogar os hormônios - deve estar bem-intencionada, porque é praticamente impossível chegar-se à conclusão de que qualquer tipo de interesse não-nobre valeria a pena, tendo em vista o dragão que você é - respondeu seu pai, enquanto acariciava seus cabelos carinhosamente.
- É berdade! Obrigado, babai!
O tempo passou e Hermengarda deixou-se estar. Agora que sabia que aquele que se aproximasse dela seria seu homem bom, honesto, humilde e que detivesse um bom manejo de objetos pontiagudos em geral, vivia de esperar.
Vinte anos se passaram.
Mais vinte se passariam, não fosse Eurico, um beberrão de cinqüenta e três anos viciado em lipídios que teve sua segunda Safena implantada e decidiu que era hora de se assentar. Parou de beber, entrou em dieta da lua e decidiu por casar-se, para ter alguém para tomar conta de si. Infelizmente, casar não foi tão fácil quanto Eurico havia imaginado. Com seus cinqüenta e três anos e quase o triplo de quilos, não era exatamente o que se pode chamar de um bom partido. Eurico tentou todas as possibilidades de casamento, todas. Chegou até a sondar alguns homens da cidade antes de conformar-se com a idéia de que sua única opção seria Hermengarda. Por fim, pediu-a em casamento. A cerimônia foi realizada em caixão lacrado - sim, foi preciso enfiá-la em um caixão para que o padre pudesse comparacer à cerimônia.
Dois dias depois do casamento, Eurico parou de parar de beber, embora demonstrasse bastante humildade quando o assunto tratava de suas habilidades ebriáticas, e mostrou-se novamente bastante hábil no manejo do garfo e da faca, que voltaram a talhar as mais grossas camadas de banha animal. Hermengarda finalmente encontrara seu príncipe.


por Caniço Duvidosamente Pensante às
| 1:38 PM.

____________________________

[quarta-feira, junho 27, 2007]

Das antigas

É famosa pelo centro-oeste do país a lenda de um lobisomem que por muitos anos habitou aquelas terras.
Tudo começou quando, em experiência pioneira, mas nem tanto, um grupo de recém-convertidos hippies fundou, em 1993, uma colônia falanstérica anarco-bagista-ôhmica em Canabrava do Norte, interior do Mato Grosso, na parte traseira da indústria de enlatados do pai de um de seus membros. Durante seu tempo de duração, o projeto foi um sucesso. Entretanto, após dez dias do início de suas atividades, seus integrantes, que passavam os dias em rodas de violão, resolveram se dispersar quando, tomados pelo frenesi das circunstâncias, acreditaram ser piratas e enterraram todo o estoque de entorpecentes. Mais tarde, quando um deles fumou o mapa, esqueceram-se de onde o haviam guardado e, já sóbrios, não agüentavam mais tocar e cantar Tears in Heaven.
Poucas semanas depois, Lutero, o pastor-alemão de um dos vizinhos da indústria, passeava pelo acampamento agora abandonado tanto pelos hippies quanto pelo dono da indústria que, não desejoso de gastar volumosas quantias de dinheiro com esterilização, optou por simplesmente deixar o local como estava. Esfomeado, procurava o que comer, quando encontrou uma bituca de um baseado enrolado em noite de lua cheia e fumado por um violonista versado na arte oculta de Lulu Santos. Engoliu sua descoberta de uma só vez e voltou para casa.
A partir desse dia, dizem, Lutero passou a ter um comportamento desatento em noites de lua cheia e não havia coleira neste mundo que fosse capaz de mantê-lo preso. Nesse período, Lutero se encaminhava para a ex-colônia e lá montava guarda, uivando um sucesso qualquer da Legião Urbana enquanto desenterrava o tesouro dos antigos moradores.
Numa dessas vezes em que se direcionava para o assentamento, Lutero encontrou em seu caminho um homem da região, que voltava para casa de uma mal sucedida pescaria e resolvera cortar caminho por dentro do terreno da indústria. Lutero, tomando-o por boa pessoa, enrolou dois baseados, um para ele e um para o homem, e o serviu. O sujeito, que derrubara seus cigarros de palha por acidente durante o percurso, aceitou o presente sem titubear, imaginando ter aquele simpático animal os encontrado, e logo se pôs a fumar junto com o cachorro, no que achou muita graça.
Depois da terceira tragada do cigarro enrolado por um cachorro que comeu um baseado confeccionado em lua cheia e fumado por um violonista versado em Lulu Santos, começou a sentir-se estranho. Seus pêlos, dentes e unhas começaram a crescer, sentiu sua mandíbula pronunciar-se para a frente, acompanhada pelo nariz e pelos dentes superiores, e sua musculatura modificar-se, rasgando um pouco suas roupas, além de sentir seus olhos um pouco irritados e a cabeça um tanto anuviada. Passado algum tempo, não sentiu mais nada além de sede. Foi procurar um riacho que sabia haver ali perto e, ao recostar-se para beber água, percebeu, ao lado do reflexo da lua cheia, o reflexo de alguma espécie de canino no lugar de seu próprio. O baseado oferecido pelo cachorro havia exercido algum efeito especial, mágico, sobre seu corpo. O pobre homem havia se tornado um lobisomem.
Sentiu vontade de comer brócolis. Vontade curiosa, para um lobisomem. Onde, porém, encontraria brócolis, àquela hora da noite? A vontade era tamanha que considerou apropriado invadir o armazém local para saciar sua fome. Comeu também rúcula e agrião. Satisfeito, retornou para o assentamento, onde confeccionou para Lutero uma touca de lã.
Após esse dia, sempre que sentia fome, invadia o armazém da cidade e de lá retirava o que considerava necessário para sua sobrevivência, mas de forma sustentável.
Dizem o lobismem e Lutero terem vivido o resto de seus dias alimentando-se de forma saudável e livre de carnes e morado em uma tenda armada por eles mesmos no local onde outrora houvera a colônia falanstérica anarco-bagista-ohmica, enquanto ouviam os maiores sucessos de Bob Marley em um velho aparelho de som abandonado pelas redondezas e faziam artesanato com o arame da cerca que circundava o local, tendo morrido ambos, alguns anos depois, por infecção tetânica.


por Caniço Duvidosamente Pensante às
| 11:55 AM.

____________________________