Quando eu pedi uma meia para
"A Noiva Cadáver", com um pouco menos daquele entusiasmo que me é característico de quando vejo um filme pela primeira vez (o que não era o caso), percebi que o preço dos ingressos havia aumentado em um real.
"Oh, bolas", pensei. Ou em algo do gênero, não sei.
Masquei por algum tempo, mentalmente, a bolsa escrotal do capitalista maldito que estava explorando a todos nós, vassalos da indústria cinematográfica estadunidense, até que percebi que havia acontecido um engano maravilhoso: eu assistiria a
"A Noiva e o Cadáver" e não a "A
noiva Cadáver"! Parecia promissor. Algo como
"O Coronel e o Lobisomem", aquela pornochanchada dos anos 70 estrelada por Tony Ramos.
Lembrei de ter ouvido algo a respeito de um novo blockbuster, ou
assbuster, sei lá, produzido por uma dessas grandes empresas cristãs deste mundão de meu Deus e que prometia muito. O roteiro envolvia algo como uma mulher, compromissada maritalmente, que envolvia defuntos. Um belo dia, entretanto, ao violar uma cripta, a mulher deparava-se com o corpo de Lafond, vulgo Vera Verão, ou Varão, sei lá, que lhe ensinava coisas sobre o amor, sobre a paixão e sobre a forma docemente triste com que membros apodrecidos estalam, quebram e entalam em mucosas, na madrugada.
"Oh, bolas", pensei. Ou em algo transgênero, não sei.
Feliz da vida, fiquei admirando o meu bilhete. Tesão, sedução, libido no ar. Entrei na sala, esperando ansiosamente pelo começo do filme. As luzes apagaram... e começou
"A Noiva Cadáver".Puto da cara, como diria nosso amigo
Myxo, ruminei a bolsa escrotal do capitalista maldito que estava explorando a todos nós, vassalos da indústria cinematográfica estadunidense. Masquei também a do digitador dos ingressos, aquele imbecil. E, pra não perder a viagem, masquei também a do suposto cadáver, porque ninguém é de ferro. Oh, bolas.
7:27 PM.